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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Crítica - Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas Gaiden #1

Cristiano Almeida

Após o sucesso de CDZ – The Lost Canvas, Masami Kurumada resolveu expandir ainda mais o universo dos Cavaleiros do Zodíaco, realizando um spin-off que retrata as histórias dos doze Cavaleiros de Ouro da época da Guerra Santa. Com a parceria de Shiori Teshirogi nos desenhos, Kurumada traz aventuras inéditas e empolgantes sobre os valorosos guerreiros. O primeiro volume apresenta Albafica de Peixes.

Na trama, Albafica é designado para a missão de enfrentar uma estrela maligna na Ilha dos Curandeiros, local onde vive o garoto Pefko, a quem o cavaleiro protege. Durante a missão, Peixes conhece Ruko, homem misterioso que faz com que lembranças do falecido mestre do herói, Rugonis, venham à tona.

O roteiro é muito positivo por mostrar a personalidade forte do guardião da 12ª casa. Ao mesmo tempo em que vemos um guerreiro frio e solitário, vemos também um homem honrado, que busca cumprir sua missão a todo custo. A explicação para os momentos de solidão do personagem é muito bem encaixada na história e se relaciona com a origem dele.

Além de o enredo seguir o protagonista em sua missão, temos ainda a oportunidade de vê-lo jovem, durante o treinamento com Rugonis. Esse trecho contempla a formação do caráter de Albafica e o modo como ele será dali em diante.

Na arte, Shiori Teshirogi entrega um resultado excelente, com grande nível de detalhes na armadura de Peixes, na Sapuris de Dríade - a Estrela Celeste da Permanência - o principal inimigo do herói na trama, e nas batalhas. A retratação das emoções dos personagens também é outro ponto em que Teshirogi exerce todo o seu talento.

Como não poderia deixar de ser com o Cavaleiro de Ouro de Peixes, presenciamos o uso das rosas como armas. Logo no começo, temos uma demonstração do poder dele com as Rosas Diabólicas Reais. Aqui, a artista já inicia com equilíbrio perfeito entre luz, sombra e movimento. O melhor de tudo é que não há oscilação dos desenhos e o nível é mantido do início ao fim.

A edição é produzida em papel jornal, o que é pior em termos de conservação. No entanto, a capa é cartonada e colorida, com um belo desenho do protagonista. A contracapa também apresenta uma linda arte. Completa o volume, um extra com o esquema de desmontagem e colocação das Sapuris, e uma declaração de Teshirogi.

Para quem é fã de Cavaleiros do Zodíaco, Lost Canvas Gaiden é uma opção a mais, pois permite visitar o universo dos protetores de Athena em uma coletânea de apenas doze edições, com cerca de 200 páginas e custo de R$ 12,90. E para aqueles que querem comprar apenas os volumes de seus cavaleiros preferidos, não há problema, já que as histórias são individuais e não têm relação entre si.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Crítica - Vingadores vs. X-Men #0 e #1


Henrique Jacob
É costume das principais editoras criarem mega-sagas com combates eletrizantes para aumentar as vendas e atrair um novo público para os quadrinhos. Essa foi a intenção da casa das ideias ao apresentar o confronto entre os Vingadores e os X-men que é o ponto de partida para o relançamento de quase todas as séries na iniciativa intitulada Marvel Now, que iniciou no final do ano passado nos Estados Unidos. O crossover foi publicado originalmente em doze edições e se expandiu para os demais títulos da editora. Apesar disso, não é necessário ler todas as revistas envolvidas na saga para entender o conteúdo, mas os demais títulos servem para enriquecer a trama com maiores informações sobre alguns acontecimentos. Além disso, a saga original traz cinco volumes da série VS. e mais cinco mostrando as conseqüências. 
No Brasil, a Panini decidiu publicar a edição zero que conta com Avengers vs. X-Men 0, Avengers: X-Sanction 1-4 e Point One 1. Os quatro volumes de X-Sanction são praticamente um prelúdio da saga e mostra o mutante Cable vindo do futuro e atacando os Vingadores. O roteiro dessa edição é muito bom, pois explica com detalhes os motivos que o levaram a atacar os Vingadores. A narrativa foi bem construída e alterna entre o presente e o futuro. O tom sério do enredo criado por Jeph Loeb ficou muito bom para uma história de início de saga e cria uma boa expectativa para os próximos atos. Apesar de utilizar muitos personagens, o autor consegue manter as principais características de cada um. Os combates também são excelentes e o desenhista Ed NcGuinness soube explorar isso muito bem na trama.
Em Point One, vemos basicamente o Nova descobrindo a vinda da Fênix para a Terra. Ele foge dela e tenta avisar todo mundo sobre a vida da entidade. A trama é simples e sem muita novidade, só serve pra criar certa expectativa para o começo da saga. As ilustrações e as cores dessa edição são o ponto forte, principalmente nas cenas de vôo espacial do Nova que ficaram impressionantes.
Por último, temos a edição 0 que mostra a Feiticeira Escarlate impedindo um ataque do vilão Modoc. Essa parte do enrendo também demonstra como está a relação dela com os membros dos Vingadores. Essa parte da trama é bem simples e não acrescenta quase nada dentro da saga. Depois disso, o roteiro foca na Esperança Summers, mostrando os sentimentos e as dúvidas que a mutante está vivendo após descobrir sobre a vinda da Fênix. Essa parte é muito boa e mostra bem a relação entre ela e o Ciclope. Os desenhos de Frank Cho são o ponto alto da edição. O artista já conhecido por ilustrar belas mulheres nos quadrinhos, consegue desenhar as integrantes dos Vingadores e dos X-Men com ênfase nas curvas. As cenas de ação também ficaram excelentes nos traços de Cho.
A partir da edição 1 de Vingadores vs. X-Men, a Panini passou a publicar duas edições da série principal e uma da versus em cada revista. A iniciativa da editora Italiana foi bacana porque adianta o evento da casa das ideias e diminui um pouco o atraso das publicações em relação aos Estados Unidos. Na primeira edição, vemos o início dos confrontos entre o grupo de heróis mais poderosos da Terra e os mutantes. De um lado temos os Vingadores liderados pelo Capitão América. O grupo deseja capturar Esperança Summers para evitar que a Fênix assuma o corpo da jovem e cause destruição em nosso planeta. Do outro lado, temos os X-Men liderados por Ciclope, que acredita que a vinda da Fenix é uma oportunidade para que a raça mutante retorne ao seu patamar anterior a Dinastia M, pois no final desse evento, a Feiticeira Escarlate quase eliminou a raça mutante. Essa divergência de opiniões é o motivo central para o grande combate da saga.
A história no início é um pouco confusa porque não existem muitas explicações e justificativas plausíveis para esse confronto. O fato da Marvel também não apontar qual lado está certo para evitar desagradar os fãs também deixa essa dúvida. É difícil de acreditar que personagens como Capitão América e Scott Summers serão tão teimosos em suas decisões a ponto de criarem uma batalha só para mostrar que estão certos. Ambos os personagens são racionais, inteligentes e fortes, normalmente eles não agiriam dessa maneira. Principalmente o Ciclope, que sempre foi um ótimo contra ponto para o Wolverine nas histórias dos X-Men. Os leitores também irão perceber como a Marvel está alterando a personalidade do Scott desde o Cisma (evento em que ele e o Wolverine brigaram e resultou na separação dos X-Men). O mutante começa a ganhar mais atitude e uma personalidade mais forte e radical que pode ser vista em suas ações e ideais. Essa mudança ficou muito boa, mas só começa a ser realmente interessante e bem explorada no meio da saga Vingadores vs. X-Men e posteriormente em Marvel Now. Os desenhos de John Romita Jr. são abaixo do esperado se comparado com outras obras de destaque ilustradas por ele. Essa queda na qualidade do traço dele deixa o visual de alguns personagens e até os combates um pouco decepcionantes, principalmente no início do evento.
Já na série Avengers vs. X-Men VS. temos sempre dois combates entre um mutante e um vingador. O próprio texto de apresentação dessa revista deixa claro que a Versus tem como foco as lutas que aconteceram na publicação principal, explorando a batalha e deixando de lado a história. Essa explicação foi uma ótima iniciativa da Marvel, pois já esclarece o conteúdo para o público. As ilustrações da maioria das edições são excelentes com efeitos de movimento, golpes e poderes muito bem desenhados e com uma qualidade imperdível para quem gosta de uma boa luta entre heróis. Os diálogos são bem curtos e se resumem em ameaças ou provocações sarcásticas entre os adversários.
O legal são as informações colocadas nos quadros em alguns momentos da luta, o texto sempre traz uma curiosidade do universo Marvel com muito bom humor. Quem gosta dos heróis da editora vão adorar essas pequenas brincadeiras que acontecem durante a edição. A única ressalva dessa série fica por conta de algumas incoerências que são geradas, em que personagens aparecem ganhando de um jeito na série principal e na versus aparecem de uma forma totalmente diferente. Apesar de não se importar com o roteiro, essa série deveria ao menos tentar se encaixar ou respeitar o início e o desfecho de cada luta da trama principal de Vingadores vs. X-Men.
A Panini também acertou ao colocar o papel LWC em todas as edições. Esse tipo de folha deu mais vida as cores e ilustrações da série, principalmente nas aparições da Fênix e nas cenas do espaço. Vingadores vs. X-Men é uma boa saga, mas conta com alguns deslizes tanto no roteiro como na arte, mesmo assim vale a pena para quem gosta de ótimos combates e para quem deseja ver mutantes e heróis se enfrentando. A série também é um excelente ponto de partida para quem deseja acompanhar o universo Marvel.

domingo, 14 de julho de 2013

Crítica – Death Note - Black Edition – Volume 1


Henrique Jacob
Alguns mangás são leituras essenciais para qualquer otaku ou apreciador de histórias de qualidade. Um grande exemplo são as obras da dupla Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, que sempre trazem um excelente conteúdo em verdadeiras obras primas que arrebatam o leitor de forma impressionante. O primeiro mangá feito em parceria pela dupla é o Death Note, um grande sucesso publicado na revista semanal Shonen Jump (a mesma revista que publica ou publicou outras séries bem conhecidas como Naruto, Dragon Ball e One Piece).
Death Note é bem diferente da maioria das obras que são publicadas na principal revista da editora Shueisha, pois conta com uma história bem alternativa e sombria que não se parece em nada com os típicos shonens de luta que aparecem na revista. A série foi finalizada com doze volumes e já havia sido publicado no Brasil em 2007. Devido ao grande sucesso nas vendas e após inúmeros pedidos do público para uma nova tiragem, a editora JBC decidiu trazer a versão especial Black Edition, que compila em um volume, o conteúdo de dois originais, fazendo com que essa série tenha apenas seis edições com um acabamento de luxo.
A história mostra o jovem chamado Light Yagami que encontra um caderno preto intitulado Death Note no pátio da escola. Esse objeto pertence ao Shinigami (Deus da Morte) conhecido como Ryuk, que deixou seu caderno cair na Terra de propósito, pois estava entediado. Ao abrir o caderno, Light encontra instruções em inglês de como utilizar o Death Note e descobre que basta escrever o nome completo e pensar na imagem de uma pessoa para que ela morra em 40 segundos de um ataque cardíaco. Também é possível definir o momento e a forma em o indivíduo irá morrer, para isso basta que o portador do caderno escreva com detalhes o que deseja.  Após testar o objeto em alguns criminosos, o Ryuk aparece na casa de Yagami para avisar sobre as conseqüências do Death Note e para acompanhar cada ação do jovem enquanto ele estiver com o caderno.
Então, Light decide eliminar todos os criminosos da face da Terra e por isso começa a matar vários bandidos da mesma forma, para que a sociedade descubra que existe alguém fazendo isso e tenha medo de agir de forma errada. Só que as autoridades de vários países percebem os assassinatos e decidem investigar com a ajuda do detetive L, um sujeito que nunca foi visto por ninguém e que já decifrou diversos crimes.  
O roteiro de Tsugumi Ohba é repleto de tensão e muito suspense, o que acaba despertando o interesse e atenção do leitor para descobrir o que vai acontecer. Ohba utiliza muito a ideia da rivalidade entre o protagonista e um antagonista em suas obras. Em Death Note, o autor explora esse confronto psicológico ao máximo fazendo com que Light e L se confrontem não fisicamente, mas no plano das ideias, com estratégias e planos para agir baseados no raciocínio lógico e na dedução, sempre buscando superar o adversário na inteligência. Isso tudo é acompanhado pela narrativa intensa e brilhante de Ohba que conduz a história de uma maneira genial criando expectativas no leitor e surpreendendo em muitas ocasiões.
Apesar de a trama contar com um clima sombrio e sério, o autor consegue inserir em alguns momentos diálogos um pouco mais descontraídos e mais leves entre Light e Ryuk pra aliviar um pouco a tensão e descontrair o leitor.
As ilustrações de Takeshi Obata são muito bonitas e dá um ritmo muito bom para a história. O visual dos personagens ficou ótimo, principalmente o design do shinigami Ryuk que possui asas e uma caracterização inspirada na figura mitológica japonesa, mas várias alterações foram feitas pelo artista para se adequar a visão dele e se encaixar dentro do roteiro. O desenhista soube criar e aproveitar muito bem os quadros, alternando os personagens, objetos e cenários, e dando ênfase em detalhes de certa importância na trama. Tudo isso é utilizado de forma de simples, mas com certa variedade nas cenas para não cansar o leitor e ao mesmo tempo agradar visualmente. A diagramação é clássica, mas o artista consegue quebrar a monotonia com a inserção em alguns momentos de quadros maiores e páginas duplas.
O acabamento da edição está excelente, pois traz um papel especial chamado Lux Cream e páginas coloridas. A editora acertou ao utilizar esse tipo de folha, pois além de ser agradável para ler, ele realça as ilustrações e é um pouco mais fino que o off-set tornando mais fácil a abertura do mangá que conta com quase 400 páginas. Quem já leu outros mangás da JBC vai notar que a empresa optou por usar o papel Lux Cream também nas páginas coloridas, ao invés de usar o couché, como acontece em outras séries publicadas pela editora.  O ponto negativo é que a versão nacional não possui as bordas pintadas a mão na cor preta como acontece com a edição americana, pois segundo a JBC isso encareceria ainda mais o produto. Apesar dessa ausência, a Black Edition nacional traz algumas exclusividades com uma ilustração exclusiva no índice e capas internas totalmente pretas, que deram um visual muito bonito para a publicação. A tradução também está muito bem feita e não altera e nem afeta a qualidade da obra.
No geral, o preço de R$ 39 é justo pela qualidade do acabamento e pelo conteúdo da obra. A iniciativa da JBC de trazer um mangá de sucesso em uma versão de luxo, ideal para os colecionadores, foi ótima. Espero que a empresa publique mais séries em versões caprichadas como essa ou então traga os kanzenbans (versões ainda mais luxuosas vendidas no Japão) de algumas séries. Exclusivo para livrarias e comic-shops, Death Note - Black Edition é um dos melhores mangás sendo publicado atualmente no Brasil e se você nunca leu a série não perca essa oportunidade.

Crítica - Batman - Edição 0

Henrique Jacob

O mês das edições 0 da DC Comics foi criado para explicar as principais dúvidas que os leitores tinham acerca do universo após o reboot dos Novos 52. Os autores optaram por mostrar o passado dos heróis, mostrando seus primeiros combates, treinamentos, ou seja, a origem de cada um. A decisão foi acertada, pois muitas dúvidas ainda pairam sobre o histórico de alguns personagens.
Um exemplo é o Batman que praticamente não teve nenhuma alteração em sua cronologia após o reboot e deixou várias dúvidas. A primeira coisa que os leitores vão notar é que a edição 0 da série Batman mostra a época em que Bruce Wayne ainda está tentando fazer justiça e punir os criminosos.
O roteiro de Scott Snyder é simples, pois mostra o protagonista ainda cometendo erros e tentando se infiltrar dentro da gangue do Capuz Vermelho (apesar do nome, esse grupo não tem nenhuma relação com o Jayson Todd, ex-robin e atualmente conhecido como Capuz Vermelho). A narrativa do autor continua incrível, mas o final em aberto e as várias pontas soltas deixam o leitor um pouco decepcionado.  Isso provavelmente será explicado e melhor explorado na saga Ano Zero (Zero Year), que iniciou recentemente nos Estados Unidos. 
Os desenhos incríveis de Greg Capullo também encantam e melhoram a narrativa de Snyder. O interessante é que o colorista FCO Plascencia explorou tons mais claros nessa edição de origem ao contrário do que foi feito nas anteriores em que predominou cores sombrias. Isso foi uma ótima sacada, já que nesse ponto da trama Bruce ainda não se tornou o Batman e ainda é apenas um homem tentando fazer justiça numa cidade dominada pelo crime.
Já na edição 0 da Detective Comics, o autor Gregg Hurwitz mostra um dos treinamentos de Bruce Wayne com o monge Shihan Matsuda no Himalaia. As aulas variam entre fazer a meditação Tummo no meio do gelo, treino com espadas e até inspirar uma fumaça na prática Tonglen que lembra a cena de treino na Liga das Sombras que aparece no filme Batman Begins. A história funciona muito bem e foca no desenvolvimento das técnicas e conceitos que o personagem utiliza em sua jornada, como eliminar sentimentos que possam se tornar fraquezas para evitar ser enganado pelas pessoas. Esse tema é bem interessante e ao mesmo tempo pessimista, mas deixa claro que para conseguir fazer o bem, Bruce terá que abrir mão de alguns emoções e se tornar um verdadeiro guerreiro. Espero que as próximas edições mantenham essa qualidade no roteiro já que a série perdeu um pouco do ritmo após o primeiro arco de história, que foi excelente. As ilustrações de Tony S. Daniel são ótimas com uma riqueza de detalhes nos personagens e cenários. A quantidade de quadros grandes e uma diagramação um pouco mais ousada contribuíram bastante para um bom resultado.
Em The Dark Knight 0, o autor Gregg Hurwitz explorou a infância do protagonista e como o assassinato de seus pais o marcaram profundamente até se tornar um adulto. O melhor do roteiro é que ele soube expressar a gama de sentimentos de Bruce e até faz uma pequena referência a corte das Corujas (os inimigos da primeira saga do herói nos Novos 52). As ilustrações são razoáveis com cenas muito bem feitas, mas a qualidade alterna muito e fica com um traço mais simples em algumas páginas. A série evoluiu muito bem desde sua primeira edição e melhorou seu conteúdo, principalmente no último arco de histórias envolvendo o vilão Espantalho, que apareceu em uma versão mais sombria e insana do que a apresentada nos cinemas.
A editora Panini também acertou ao publicar, mesmo atrasado, todas as histórias secundárias da Detective Comics. Entre as edições 8 a 11, o conteúdo envolve uma disputa entre o Duas Caras, um promotor de Gotham e alguns criminosos que tentam de tudo para eliminar Harvy Dent. A trama é simples, mas intensa e pontuada por momentos mais violentos e diálogos tensos. O roteirista Tony S. Daniel acertou ao mostrar mais da personalidade do vilão Duas Caras e por explorar mais do submundo da cidade do Cavaleiro das Trevas. Os desenhos de Szymon Kudranski não chamam muito a atenção, pelo excesso de efeitos de sombra e tons escuros utilizados que até atrapalham o leitor na hora de identificar cada personagem.
A última história secundária publicada é a da edição 11 da Detective Comics, que basicamente é uma introdução para o retorno do Coringa. No enredo, acompanhamos a personagem Nancy que é designada para ficar supervisionando a área de objetos apreendidos pela polícia. Entre os objetos está a pele do rosto do Coringa arrancada na primeira edição da Detective Comics. A trama é bem simples e não tem nada de especial, só serve mesmo para animar o leitor para o retorno insano do principal vilão do universo do Batman, que irá aparecer novamente e estremecer a bat-família na saga Morte da Família (Death of Family) que inicia na edição 13.
O bacana é que a Panini incluiu um pôster com a imagem da capa para comemorar a publicação das mensais número 0. Essa edição traz ótimas histórias, mas ainda não explica algumas dúvidas dos fãs do universo DC sobre a cronologia do herói. Agora temos que esperar para conferir e descobrir mais da origem pós-reboot somente na saga Ano Zero, mas enquanto isso podemos nos divertir vendo o Homem-Morcego e seus aliados enfrentando o Coringa na próxima edição. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Crítica – Liga da Justiça #0

Cristiano Almeida

Parte das edições especiais que comemoram um ano de Os Novos 52!, Liga da Justiça #0 (formato americano, 108 páginas, papel pisa brite, capa couchê, R$ 9,99) apresenta o herói Shazam! no mix da Liga, e mais uma aventura do Capitão Átomo. Devido a isso, as tramas de Liga da Justiça e Liga da Justiça Internacional retornam na edição treze.

O roteiro de Shazam! é escrito por Geoff Johns, artista que cuida da série da LJ e assinava os enredos de Lanterna Verde há muito tempo. O roteirista trabalha conectando três pontos em torno de um objetivo comum: a origem de Shazam! Primeiro ele descreve a procura de um velho feiticeiro pelo seu sucessor; depois alterna para o ressurgimento do Adão Negro (o maior inimigo do herói) e, por fim, nos mostra a vida do jovem Billy Batson. 

As mudanças entre os tons narrativos poderiam tornar a leitura confusa, mas não é o que acontece aqui, pois Johns consegue bom equilíbrio entre todos os pontos. É bacana como ele brinca com o leitor já nas primeiras páginas e explora a personalidade de Batson, mostrando um jovem que não confia nas pessoas, mas que esconde um lado oculto crucial para o desenvolvimento da história.

Outro detalhe importante a ser observado na estreia de Shazam! é o reforço no universo místico da DC Comics. Quando você se depara com a frase: “Eu sou o último do Conselho dos Magos e guardião da Pedra da Eternidade, a maior fortaleza mística em toda a existência”, percebe que esse universo tem potencial para proporcionar grandes enredos.

Além de um roteiro interessante, a HQ tem o reforço da ótima arte de Gary Frank, desenhista que transmite muito bem as várias expressões dos personagens. O ponto alto dos desenhos fica por conta das aparições do herói e do Adão Negro envoltos em vários raios. Nesse quesito, é elogiável a colorização de Brad Anderson, pois o trabalho do artista no contraste entre o brilho dos raios e o tom de preto é muito bom.

Com relação ao Capitão Átomo, a trama é um flashback, pois conhecemos os detalhes da transformação do oficial da aeronáutica, Nathaniel Adam, no poderoso personagem. Portanto, nesta edição, é apresentado o motivo pelo qual o capitão aceita participar do processo físico que o modificou e como isso ocorreu. 

Os artistas são os mesmos dos trabalhos anteriores e repetem o que foi visto antes. No roteiro, JT Krull tem uma ligeira melhora, fazendo uma conexão com o Universo DC semelhante à proposta do filme O Homem de Aço. Ele chegou a iniciar essa referência ao universo da editora na edição três, mas, infelizmente, não expandiu a ideia. Com isso, se prolongou demais nas indagações do herói e perdeu uma ótima oportunidade.

Na arte, Freddie Williams II teve alguns apreciadores, que gostaram de seu estilo diferenciado, mas foi criticado pela grande maioria. Williams até consegue bons momentos quando desenha o Capitão, porém exagera nos efeitos de sombra, principalmente quando se trata do Dr. Megala (o cientista responsável pelo experimento que transformou Nathaniel), e obtém um resultado muito ruim.

Para completar a edição, acompanhamos uma pequena história chamada Questões, com a presença de Pandora, personagem que apareceu na edição seis. O retorno dela e o surgimento de outro elemento na trama indicam que vem algo bem legal por aí.  

Como forma de comemorar um ano de publicação, a revista vem acompanhada por um pôster de 51 x 52 cm que traz a imagem da capa. Assim, o leitor tem uma edição especial com as origens dos heróis e ainda ganha um lindo pôster para colocar na parede do quarto.

domingo, 7 de julho de 2013

Crítica – X-O Manowar

Henrique Jacob

A editora americana Valiant foi criada em 1989 por Jim Shooter (ex-editor da Marvel) e Bob Layton. As primeiras revistas com esse selo foram lançadas no início dos anos 90 e entre elas estava X-O Manowar. O universo criado pela empresa se expandiu com o passar dos anos até esta ser adquirida pela produtora de jogos Acclaim, que faliu e culminou no fim das publicações. Nos últimos anos, a Valiant foi adquirida por outra organização que fez um reboot lançado em 2012 nos Estados Unidos.
Esse universo inédito no Brasil e totalmente renovado começa a ser publicado em nosso país pelas mãos da editora HQM com o mix X-O Manowar. A revista será composta pelas séries Harbinger, Bloodshot e X-O Manowar, mas especialmente no primeiro volume, a editora optou por publicar as duas primeiras edições da série que dá nome a revista, deixando a estréia de Bloodshot para o segundo volume. A decisão foi acertada, pois facilita para o leitor compreender o conceito do principal título da editora norte-americana.
Ao se abrir a edição já é possível notar a qualidade do acabamento utilizado pela HQM. O papel é de qualidade muito superior a maioria das séries que aparecem nas bancas. Isso valorizou muito as ilustrações e deixou a revista com um ótimo aspecto para os colecionadores. O preço de 9,90 cobrado pelo mix é justo pela qualidade das histórias e do acabamento.  
X-O Manowar se passa no ano de 402 d.C. e conta a história de Aric, um guerreiro dos Visigodos que comanda as tropas de seu povo contra a invasão Romana. Após uma confusão no meio da madrugada, o protagonista e alguns soldados são capturados por alienígenas e levados como escravos para outro planeta. Após alguns anos, ele e os outros humanos tentam fugir do lugar e nisso Aric veste a armadura sagrada X-O Manowar.  
O roteiro de Robert Venditti é muito bem estruturado, pois explora as emoções de Aric e ao mesmo tempo consegue criar um clima bem instigante na trama. O enredo é voltado principalmente para os adultos por explorar um universo de ficção científica com um tom mais sério. O conteúdo também estimula a curiosidade do leitor para saber o que vai acontecer a seguir devido a qualidade da narrativa empregada pelo autor.
Os desenhos de Cary Nord (Conan) também são muito bonitos e apresentam uma qualidade incrível, principalmente nas cenas de combate que são muito bem exploradas durante a aventura.  A diagramação é clássica e conta apenas alguns quadros maiores sendo explorados em alguns momentos, mas não existe nenhuma tentativa de inovar ou fazer uma composição menos convencional da página. Isso não chega a ser um problema, pois a maioria das séries optam por esse formato mais tradicional.
Em Harbinger, acompanhamos a história de Peter Stanchek, um jovem psiônico com grandes poderes mentais, como ler pensamentos, controlar pessoas e outras coisas, e que está sempre sendo perseguido por uma organização do governo. Durante as fugas, o jovem acaba conhecendo Toyo Harada, outro psiônico que oferece ao jovem a oportunidade de aprimorar suas capacidades na fundação Harbinger. O roteiro de Joshua Dysart é excelente, pois explora os poderes mentais do protagonista, o caráter dele e dá um clima tenso e com algumas surpresas que deixam o leitor muito animado e ansioso para descobrir os próximos acontecimentos da trama.
As ilustrações feitas por Khari Evans são ótimas e exploram muito bem a capacidade do roteiro de Dysart. A colorização também é uma das melhores coisas dessa edição que soube explorar o potencial dos personagens e criou cenas bem interessantes, principalmente quando o protagonista utiliza os seus poderes.
O mix X-O Manowar traz ainda nos extras várias capas variantes. Isso foi uma ótima iniciativa, pois é algo que acaba faltando na maioria das séries mensais lançadas aqui no Brasil. Outra opção é escolher entre as três capas disponíveis para a revista. Se você gosta de HQs de ficção científica com história e desenhos de qualidade, pode ter certeza que X-O Manowar é uma excelente opção.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Crítica - Juiz Dredd Megazine


Henrique Jacob
Após um bom período longe das bancas brasileiras, a série do Juiz Dredd retorna dessa vez pela mãos da editora Mythos e acompanhado de outras séries da revista inglesa 2000 AD. Inicialmente, Dredd Megazine terá seis edições e dependendo da aceitação do público a série poderá continuar em publicação. Ao todo, o mix é composto por seis histórias, sendo que duas delas envolvem o Juiz e outras duas séries são inéditas em nosso país.  
A série do Juiz Dredd abre o mix com um conto único e bastante simples. A trama mostra a confusão criada por um cidadão de Mega City Um que abre a jaula de vários alienígenas em uma espécie de zoológico. O enredo é bem engraçado com muitos combates entre o Juiz e diversas criaturas bizarras. O melhor dessa antiga história do personagem são os desenhos fantásticos de Brian Bolland.
Uma das HQs inéditas é a Área Cinzenta, que mostra um grupo do governo que controla e contém os alienígenas que entram em nosso planeta na zona global de exossegregação. A ideia é excelente e mostra um local em que os extraterrestres precisam ficar para evitar contaminações de seres intergalácticos no planeta Terra. O roteiro de Dan Abnett funciona muito bem e agrada ao gerar combates intensos e ao mesmo tempo por desenvolver a trama de forma a criar uma leve tensão e um pouco de suspense. Os desenhos de Karl Richardson são incríveis e o tom mais sombrio utilizados nas cores combinou perfeitamente com a premissa da série.  Com certeza, uma das melhores HQs presentes no mix.
A editora Mythos também acertou ao decidir publicar as primeiras histórias da série Sláine. O personagem já havia sido publicado no Brasil pela Pandora Books, mas sua origem ainda não havia sido lançada. A edição em preto e branco mostra as primeiras aventuras de Sláine Mac Roth e o anão Ukko. Os personagens são carismáticos e os diálogos são bem humorados, mas a trama ainda não conseguiu prender tanto a atenção do leitor. Como se trata apenas do início, podemos esperar uma melhora significativa já que o passado do protagonista é um elemento importante na história. O desenhista também abusa de efeitos de sombra para conseguir um resultado mais sombrio.
Já Nikolai Dante traz um protagonista carismático, mulherengo e ladrão que acaba se envolvendo numa perigosa confusão com o Vladimir, o conquistador CZAR numa Rússia Imperial do futuro. A história é engraçada e o personagem principal é cativante, mas o roteiro ainda é fraco e mostra só início da confusão em que o protagonista vai ser meter. Os desenhos são bons e o destaque fica por conta das cenas de perseguição que ficaram ótimas.
O mix também acompanha uma história bem curta chamada Distorções Temporais.  O roteiro é do Alan Moore e os desenhos de Dave Gibbons (a famosa dupla criadora de Watchmen). A trama mostra a dupla de cronocanas Joe Sábado e Ed Quinta-feira, cuja missão é viajar no tempo para impedir crimes antes que eles aconteçam, algo bem semelhante ao filme Minority Report. Apesar de ser simples, o roteiro é bem divertido e tem um final surpreendente e muito engraçado. As ilustrações de Gibbons enriquecem ainda mais o roteiro de Moore e seu traço limpo agrada visualmente.
Por último, o mix traz o arco Guerra Total do Juiz Dredd. O enredo é bem melhor que o da primeira história do volume, pois mostra o plano de um grupo de anarquistas que ameaçam explodir bombas em Mega City Um se os juízes não deixarem o comando da cidade.  O roteirista John Wagner conseguiu dar um tom violento e tenso que combina bastante com o personagem e agrada pela qualidade da narrativa. Entretanto, os personagens coadjuvantes, principalmente a Juíza Chefe, tem muito destaque na trama e isso pode deixar alguns leitores que nunca leram nada sobre o Juiz meio perdidos.
A editora Mythos acertou no acabamento da edição ao utilizar papel coché que realça a qualidade das ilustrações e dá um aspecto mais bonito na edição, valorizando o produto para os colecionadores, mas isso acarretou no preço de R$ 10,90  um pouco caro para um mix de apenas 68 páginas. Apesar disso, a qualidade das histórias e o bom acabamento compensam esse preço. Juiz Dredd Megazine é uma ótima opção para quem deseja ler um material diferente e de qualidade.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Crítica – Tropa dos Lanternas Vermelhos

Cristiano Almeida

Publicada após os eventos da Guerra dos Lanternas Verdes, a HQ Tropa dos Lanternas Vermelhos (formato americano, 148 páginas, papel pisa brite, capa couchê, R$ 14,90) reúne as edições 1 a 7 da revista Red Lanterns americana. Neste volume é apresentada a nova formação da tropa liderada pelo poderoso alienígena Atrócitus.

A contracapa da HQ começa revelando os acontecimentos que levaram até o início da edição #1. O texto explica que os Caçadores Cósmicos criados pelos Guardiões se rebelaram e massacraram o planeta Ryut. Um dos poucos sobreviventes do massacre foi Atros, nativo que se rebatizou como Atrócitus e criou uma célula terrorista interespacial, As Cinco Inversões, com o objetivo de destruir os Guardiões. Quando o grupo falha em sua missão, acaba aprisionado no planeta Ysmault.

Atrócitus, então, consumido pela ira, descobre uma forma de canalizar sua fúria em uma bateria vermelha, utilizando-se de um sangrento ritual ancestral. Estava fundada a Tropa dos Lanternas Vermelhos, e a partir desses eventos acompanhamos as motivações de seu líder e dos seres que o acompanham.

O roteiro é de Peter Milligan, autor que procura explorar, principalmente, os conflitos internos pelos quais o líder da tropa passa. Assim, descobrimos que Atrócitus viu a família ser assassinada e, diante das injustiças do mundo, busca uma forma de acabar com elas, mesmo que para isso precise matar com requintes de crueldade.

Outro problema que o alienígena enfrenta é dentro do próprio grupo, quando, ao devolver racionalidade à recruta Bleez, por meio de um ritual, a integrante passa a questionar seu comando e incita os outros membros - que também passam pelo mesmo processo - a se rebelarem contra o líder. Aqui, Milligan entrega alguns trechos interessantes de flashback, nos quais conhecemos as motivações que levaram os recrutas a serem escolhidos pelo anel vermelho. Com isso, estão lá os passados de Bleez, Taramela, Skallox e Zílius.

Contudo, o roteirista acaba se prolongando demais nas indagações de Atrócitus e na própria iminência do conflito interno. Chega determinado ponto no qual sabemos quais são as motivações do líder, mas ele pouco faz para concretizá-las. A indicação do motim é clara, mas é levada quase até o fim da publicação, na qual é resolvida rapidamente para dar lugar a uma trama paralela, relacionada à aparição de outro lanterna vermelho, agora no planeta Terra.

Apesar dos pontos falhos no texto, o volume é acompanhado por uma excelente arte. O responsável é o brasileiro Ed Benes (Liga da Justiça, Aves de Rapina), que transmite para o papel toda a essência da Tropa dos Lanternas Vermelhos. Assim, não faltam sequências muito violentas, que resultam em cabeças decapitadas e corpos incinerados. Benes também convence na sensualidade da alienígena Bleez e na exploraração das emoções dos personagens, com destaque para os acessos de fúria de Atrócitus e as expressões de medo das vítimas que se deparam com a tropa.

Nesta HQ, um ponto diferente em relação aos desenhos das outras tropas é que a vermelha não utiliza construtos. Desse modo, eles combatem seus adversários com golpes físicos ou com uma espécie de plasma vermelho lançado de suas bocas. O resultado é visivelmente eficaz, mas os construtos trariam sequências ainda melhores à ação dos furiosos lanternas. Outra ressalva é a colorização de Brian Cunningham no primeiro capítulo (depois ele é substituído por Nathan Eyring), que é correta em alguns momentos, mas equivocada em outros que mostram os quadros de monólogo ou localização.

Tropa dos Lanternas Vermelhos termina com um resultado mediano, onde roteiro e arte poderiam ser melhores, caso alguns pontos fossem observados. O volume é indicado para o leitor que deseja conhecer mais sobre as ramificações da tropa criada pelos Guardiões. No entanto, como o arco não é conclusivo e as últimas páginas trazem dois grandes ganchos, será necessário também a leitura do volume seguinte para compreender a trama por completo.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Crítica – Natal de Ouro Disney – Volume 3


Henrique Jacob        
O novo especial de natal da Disney reúne diferentes histórias em uma única edição. Publicado pela editora Abril, Natal de Ouro Disney - Volume 3 traz a divertida saga A Espada de Gelo e mais alguns contos que alternam entre bons e regulares com diversos personagens e temas natalinos.
A saga A Espada de Gelo foi criada por Massimo de Vita e foi publicada originalmente em 1982 na Itália e só havia sido publicado no Brasil em 1985. Apesar do enredo se passar na véspera de Natal e em alguns momentos no mundo dos habitantes da Disney, a história acontece na maior parte do tempo no mundo mágico de Ululândia. A trama inicia com um grupo de moradores da vila pedindo ajuda ao mago Ior para dar um jeito no príncipe das Névoas e impedir que o tirano mande seus emissários para cobrarem um valor absurdo de imposto na época do Natal.
O sábio feiticeiro começa a pensar e conta sobre os acontecimentos das três eras, revelando que o vilão já havia dominado os habitantes há muito tempo atrás, mas seu reinado de crueldade foi desmantelado pelo valente Alf, um ser de outra dimensão que utilizou a Espada de Gelo para derrotar o inimigo. Após Alf voltar para seu mundo, a arma desapareceu no reino dos Gigantes, que eram aliados do príncipe das Névoas, e nunca mais foi vista. Então, Ior envia Boz para outra dimensão com o objetivo de encontrar Alf, mas o atrapalhado habitante acaba trazendo Mickey e Pateta para Ululândia. Então, Pateta decide fingir que é o primo do Alf e os três começam sua jornada para encontrar a lendária espada.
Logo no início já é possível perceber algumas influencias de histórias como Rei Arthur e O Senhor dos Anéis, com um pouco da mitologia nórdica, que pode ser notado nas referências do universo e nos nomes muito semelhantes utilizados por personagens e nas cidades. Tudo isso com um toque infantil e bem humorado como já é de costume das histórias da Disney. A narrativa é cativante e prende a atenção pelos diálogos divertidos e bem elaborados. O autor conseguiu realizar um bom trabalho que agrada tanto as crianças como os adultos pela qualidade do roteiro que praticamente ocupa metade do volume com mais de 100 páginas. Sem cansar o leitor, a trama consegue manter o interesse do público pelos acontecimentos e pelo carisma dos personagens.
Os desenhos produzidos por de Vita são muito bem feitos com uma riqueza de detalhes nos cenários, roupas e nos personagens. O uso das cores também agrada por mesclar tons claros e escuros com eficiência, realçando algumas imagens como as cenas em que o trio de aventureiros está viajando a noite com um céu e uma lua muito bem feitos ao fundo. Essa qualidade chama muita atenção e se destaca entre as publicações já lançadas do universo Disney.
Ainda no terceiro volume é possível encontrar enredos natalinos menores com personagens muito conhecidos como Zé Carioca, Lobão e Lobinho, Mickey e Pateta, Madame Min, Pinóquio, Super Pata, Peter Pan e algumas histórias envolvendo Donald, entre elas estão algumas que envolvem os seus sobrinhos Luisinho, Zezinho e Huguinho.
O conteúdo alterna entre bom e regular, com algumas histórias sendo dispensáveis. Uma das melhores é o conto em que o pato Donald decide trabalhar nos correios para conseguir mandar seus cartões de natal para seus familiares, mas um imprevisto acontece e o protagonista acaba indo parar num reino em que é proibido o Natal. Além de divertida, a trama traz um conteúdo interessante, que condiz bastante com a premissa dos contos natalinos.
A qualidade do volume está na média das publicações da editora Abril, mas com uma capa caprichada e um cuidado maior com o material. O papel é o mesmo das outras publicações da Disney, o que poderia ter sido melhor já que se trata de uma edição especial. Uma das melhores coisas do terceiro volume é o fato de não exigir que o leitor tenha lido as duas primeiras edições para entender o roteiro, pois todas as histórias estão completas na publicação.
Se você nunca leu a saga A Espada de Gelo vale muito a pena adquirir Natal de Ouro Disney – Volume 3 para aproveitar a republicação dessa ótima história. A edição também vai agradar bastante as crianças e aqueles que gostam de contos natalinos e desejam acompanhar um bom conteúdo com os personagens do universo da Disney.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Crítica – Zé Carioca 70 anos - Volume 1


Henrique Jacob
O personagem foi criado em 1942 por Walt Disney durante uma visita ao Brasil, em que o artista veio a pedido do governo americano com o objetivo de estreitar as relações entre os países da América Latina e os Estados Unidos para ganhar apoio durante a Segunda Guerra Mundial. Essa ação diplomática conhecida como política da boa vizinhança resultou na criação do papagaio durante a estádia de Disney e sua equipe no Rio de Janeiro.
Desde sua primeira aparição no filme Alô Amigos ao som da canção Aquarela do Brasil de Ary Barroso, o Zé Carioca conquistou o público com seu jeito malandro, carismático e bem humorado. Após muitos anos, a editora Abril compilou diversas histórias para mostrar a evolução do personagem na edição especial Zé Carioca 70 anos. O primeiro volume desse especial traz todas as tiras de jornal em que o papagaio apareceu e algumas tramas das décadas de 40, 50 e 60.
A compilação é competente e abrange um vasto conteúdo de histórias mostrando as mudanças que o personagem sofreu durante os anos. A melhor parte da edição são as tiras de jornais que duraram entre 1942 e 1944 que são interligadas por uma trama bem engraçada, que prende a atenção do leitor pelos diálogos bem humorados e as situações inusitadas escritas pelo autor Hubie Karp. É muito interessante ver como Zé começa a mentir para conseguir algo e depois tem que criar outras para sustentar a primeira. A maneira como ele inventa e representa suas farsas também contribuem para atrair a atenção do leitor durante a história e instigam a curiosidade para descobrir como isso irá terminar.
Os bons desenhos de Bob Grant e Paul Murry também agradam pela diversidade e riqueza de detalhes, que para época eram muito bem feitos. O trabalho da editora em recolorir digitalmente os quadrinhos também contribuiu para melhorar os tons das cores e tornar mais agradável e bonito o aspecto visual da edição, valorizando assim o conteúdo.
A influência de algumas manias da sociedade daquele período também podem ser vistas no visual do papagaio, como o chapéu e o charuto que o personagem fuma em diversos momentos. É interessante ver como naquele contexto histórico o ato de fumar era considerado algo sofisticado e elegante, sendo utilizado até por personagens de histórias infantis. É possível notar que nos contos da década de 60 utilizados na edição, o protagonista fuma com menor freqüência, demonstrando que algumas mudanças na sociedade já estavam influenciando os quadrinhos.
As fases do personagem nas décadas de 40, 50 e 60 contam com um bom conteúdo, mas que não se compara em qualidade com as tiras de jornal apresentadas logo no início da edição. O fato de serem escolhidas histórias únicas e sem ligação dessas décadas acabam prejudicando um pouco o envolvimento do leitor com a trama e principalmente pelo fato da maioria das vezes o enredo ser superficial em alguns momentos. Um exemplo disso é quando Zé retorna ao Brasil e ninguém mais o reconhece, para tentar mudar isso ele convida os amigos dele da Disney para passar o carnaval em nosso país, o desenrolar do enredo é previsível e não possui muito humor.
O trabalho realizado pela editora Abril para contar detalhes de cada período do personagem e mostrar curiosidades sobre as mudanças de cada época são ótimos para quem nunca leu nada sobre o Zé Carioca ou até mesmo para quem desejava conhecer mais sobre ele, porque apresentam diversas informações relevantes sobre o papagaio. O design da capa da primeira edição ficou excelente com as cores verde e amarelo com a parte central metalizada dando um ar de sofisticação e beleza para o volume. Além disso, a imagem do protagonista e as letras estão em relevo, o que agrada bastante pela qualidade.
Um dos problemas do personagem é a presença de algumas características baseadas em estereótipos que os estrangeiros pensam do povo brasileiro. Essa tendência de achar que o Brasil é só carnaval e que o povo é malandro pode ser notada na edição, mas sempre misturando o bom humor com um tom infantil, o que minimiza essa visão deturpada do nosso país. Em algumas histórias principalmente naquelas que envolvem o carnaval dá para se notar que os autores não conheciam quase nada de nosso país e se basearam no estereótipo daquela época.
Apesar de algumas falhas, o primeiro volume de Zé Carioca 70 Anos é uma ótima oportunidade pelas tiras de jornais, por mostrar a evolução histórica e por um bom conteúdo que agrada crianças e adultos. Vale a pena ler para conhecer mais sobre o personagem e se divertir com suas confusões e planos.

sábado, 24 de novembro de 2012

Crítica – Rurouni Kenshin – Crônicas da Era Meiji # 1

Cristiano Almeida

Publicado originalmente em 2001, pela JBC, o mangá Samurai X (nome pelo qual ficou conhecido nos Estados Unidos) fez muito sucesso em terras ocidentais. Adaptado para a TV, o anime homônimo criou uma legião de fãs. Agora, a editora relança a obra com seu título original, Rurouni Kenshin, e apresenta edições com texto revisado, readaptação de algumas expressões e retradução de outras. O objetivo é se aproximar mais do original japonês, publicado entre 1994 e 1999 na revista Shonen Jump.

A criação de Nobuhiro Watsuki é inspirada em momentos históricos do Japão, como o Bakumatsu (final do Xogunato) e a implantação da Era Meiji, regime que acabou com a ditadura feudal dos xoguns da família Tokugawa. Sendo assim, há muitas referências sobre guerreiros, localidades ou situações pelas quais o país passou durante o período.

Em meio a esse conflito surge Kenshin Himura - um monarquista - que de tão eficiente no uso da espada ficou conhecido como Battousai, o Retalhador. Ele lutou contra os xoguns e participou da Restauração Meiji. Quando a nova era é instaurada, o espadachim some e retorna como um rurouni (palavra usada para indicar andarilho), protegendo pessoas contra a injustiça com uma sakabatou (espada de lâmina invertida) e decidido a não mais matar.

Watsuki faz um trabalho muito interessante de mescla da realidade com a ficção. Com isso, Kenshin se depara com personagens similares aos do momento histórico, como a força policial da época, e visita cidades importantes durante o regime. É em uma de suas andanças que ele conhece Kaoru Kamiya, jovem que ele passa a proteger e que é responsável por muito dos momentos de humor do título.

O mangaká explora no andarilho uma personalidade dúbia. O samurai tem uma aparência frágil, sendo considerado um fraco, porém é capaz de expor uma habilidade única ao lutar com seus adversários. Nesse ponto, o artista traz à tona as reflexões do protagonista - que não quer mais repetir os atos da guerra -, mas é obrigado a entrar em ação para proteger as pessoas que gosta.

Com relação aos desenhos, Nobuhiro Watsuki demonstra ótimo domínio da técnica. Ele recria com eficiência localidades inerentes ao Japão Feudal, como dojos, hotéis, restaurantes e cidades. Outro ponto que chama a atenção é o detalhamento dos trajes, que incluem os quimonos e as hakamas (calças tradicionais japonesas).

Watsuki entrega cenas de luta empolgantes e não ameniza na violência (o mangá é indicado para maiores de 14 anos). A publicação é caracterizada pelo contraste entre preto e branco - sendo que o primeiro tem maior destaque - principalmente nas cenas de ação em que há sangue. Embora o mangá não seja colorido (o que é compreensível devido à retratação da violência), a arte produz resultados convincentes e impactantes. 

A republicação tem ótima qualidade também em seu material de produção. A capa é cartonada, colorida e bastante brilhante; o papel jornal, da publicação anterior, foi substituído pelo off-set, que ajuda na conservação por um tempo bem maior, e a revista agora é em formato tankobon (no total serão 28 volumes).

O título ainda conta com extras escritos pelo autor, que descreve o processo de composição dos personagens e as inspirações que o levaram a criar os principais deles. Por exemplo, para a concepção de Yahiko Myoujin, o artista relata que se baseou em sua própria experiência pessoal.

Diante desses aspectos positivos, Rurouni Kenshin – Crônicas da Era Meiji é uma publicação que possibilita o retorno a um mangá de sucesso. É uma oportunidade para os antigos relembrarem e para os novos conhecerem os elementos históricos e fictícios que compõem esse título tão clássico.

domingo, 11 de novembro de 2012

Crítica – Besouro Azul


Henrique Jacob
Criado em 1939, o personagem Besouro Azul sofreu algumas mudanças durante os anos e ganhou uma nova origem em Os Novos 52. Lançado no Brasil pela Panini Comics, a HQ traz as seis primeiras edições da série em um único encadernado simples, semelhante ao do Super Choque.
Apesar da série já ter sido cancelada e só ir até a edição 16 nos Estados Unidos, a publicação com os primeiros números apresentou uma história coerente e com ótimos desenhos. Na trama, o adolescente Jaime Reyes, descendente de uma família latina, acaba adquirindo poderes após um escaravelho alienígena entrar nas suas costas no momento em que fugia dos capangas super poderosos da criminosa La Dama de La Mafia, que desejava encontrar o Besouro Azul. A partir disso, o jovem tenta assumir o controle dos poderes para impedir que o alien use suas armas para destruir o nosso planeta.
O roteiro criado por Tony Bernard consegue prender a atenção principalmente após o protagonista se tornar o Besouro Azul. A relação entre o alien e seu hospedeiro Jaime, é muito interessante porque coloca o personagem em diferentes situações com momentos de desespero e ações inesperadas por parte do escaravelho. Essa tensão gera ótimos diálogos com momentos de humor e algumas brigas, que agradam pela qualidade. A construção do personagem é bem feita, mostrando as emoções, o caráter e a relação com sua família.
Bernand apresenta aos poucos cada uma das habilidades e dos poderes do protagonista. Isso contribui para melhorar a dinâmica da trama e foi bem explorado em cada situação, agradando por dar um ar de novidade em alguns momentos.
Entretanto, a história demora um pouco para se desenrolar. Isso poderia ter sido melhor desenvolvido para evitar que o público se canse, mas é justificado pelo fato do protagonista estar começando a entender e controlar os seus poderes. Os combates são ótimos e bem diversificados com alguns seres poderosos e três vilões principais, que são La Dama de La Mafia, o Gorila Prateado e um inimigo que aparece somente nos momentos finais da edição.
O autor também traz uma trama paralela mostrando outros Besouros tentando encontrar e identificar o Khaji-Da, nome verdadeiro do escaravelho que caiu no Planeta Terra e que está com o protagonista. Isso começa a ser explorado na história, mas é deixado de lado com a justificativa de que todas as naves deveriam se dirigir para atacar o planeta Odym, base da tropa dos Lanternas Azuis. Como esse enredo paralelo só revelou alguns detalhes sobre os escaravelhos, cria-se a sensação de que ele foi criado somente para explicar algumas motivações e não se relacionar com a trama principal. Provavelmente, nas edições seguintes o grupo pode retornar e se tornar um elemento ativo, mas até o fim do especial, o autor não explorou o potencial dessa relação do escaravelho Khaji-Da e sua raça.
Os desenhos do artista brasileiro Ig Guara são ótimos com diversos detalhes nas feições dos personagens, na roupa do Besouro e nos cenários.  As ilustrações possuem um bom nível de qualidade, principalmente durante os combates que foram muito bem produzidos com destaque para os efeitos visuais nos golpes. A aparência do protagonista e dos demais também impressiona. Isso se torna evidente quando a edição mostra um personagem de perto, como acontece com o Gorila Prateado, que possui vários detalhes no corpo e na arma que está carregando.

As cores utilizadas por Pete Pantazis também contribuem para um bom resultado, utilizando tons claros na maior parte do tempo e realçando os poderes que cada personagem usa durante as lutas. A publicação também conta com uma entrevista com o Tony Bernard e Ig Guara. Esse complemento foi uma ótima iniciativa, pois o leitor poderá entender alguns dos planos e ideias da dupla para as próximas histórias. A HQ também conta com a tradicional galeria de capas, que mostra as artes de cada número.
Se você deseja conhecer um novo personagem ou procura uma boa história com bastante ação, a edição do Besouro Azul de Os Novos 52 é uma boa oportunidade para entender e descobrir mais sobre o universo desse promissor herói.

sábado, 27 de outubro de 2012

Crítica – A Guerra dos Lanternas Verdes Especial

Cristiano Almeida

Lançada como uma edição complementar ao grande conflito dos patrulheiros intergalácticos, a HQ A Guerra dos Lanternas Verdes Especial (formato americano, 116 páginas, papel pisa brite, capa couchê, R$ 12,90) narra o desfecho da trama que vinha acontecendo nas revistas do Cavaleiro Esmeralda. Além dessa história, o título também apresenta aventuras de outros heróis, como o Homem-Animal.

Nas edições anteriores, a guerra começa quando o guardião renegado, Krona, infecta a bateria central de Oa com a entidade Parallax e toma conta de toda a Tropa dos Lanternas Verdes por meio do anel energético. Feito isso, os defensores da galáxia começam a agir como se estivessem hipnotizados. Então, para salvar os amigos da tropa, Hal Jordan, Guy Gardner, Kyle Rayner e John Stewart precisam usar anéis energéticos de outras equipes para enfrentar Krona e Parallax.

A edição especial começa mostrando o destino de Hal Jordan e da tropa de policiais intergalácticos, que entra em um período de recuperação e redefinição de suas fileiras e metas. Também é possível saber o que aconteceu com os novos e inexperientes recrutas, acionados quando Mogo, o planeta Lanterna Verde, começa a gerar anéis energéticos sob o comando de Krona. Por fim, a história relata a decisão dos Guardiões sobre o que fazer com Sinestro.

Esse enredo é dividido em duas partes, sendo que a primeira é focada nos diálogos e a seguinte em poucos momentos de ação. De certo modo, isso não é de todo ruim, pois com a interação dos personagens é possível tomar conhecimento de importantes detalhes da trama. Nesse sentido, o roteiro de Tony Bedard, que assina os dois segmentos, explora os conflitos, inclui muitos personagens, como o Lanterna Azul, e destaca como certas decisões tomadas na guerra influenciarão o destino da tropa.

Os desenhos de Miguel Sepúlveda e Tyler Kirkham, que comandam a parte um, oscilam bastante, principalmente nas feições dos personagens e no uso excessivo de efeitos de sombra. A diagramação tem certa eficácia, com imagens ocupando toda a página e enquadramentos se sobrepondo a um fundo ilustrado.

Na parte dois, os artistas são Ransom Getty e Andy Smith, que melhoram um pouco o trabalho da outra dupla e exploram melhor as sequências. Aqui, os artistas tem a ajuda do roteiro, que entrega mais ação e permite o uso dos desenhos para os construtos energéticos.

Depois do desfecho da guerra dos lanternas, temos uma trama do Homem-Animal, herói capaz de sintonizar o campo morfogenético e absorver característcas dos animais. Com roteiro de Adam Schlagman, a história, apesar de curta, é eficaz em mostrar os poderes do personagem, que chega a lutar ao lado da Princesa Koriander, a Estelar. A arte de Jason Fabok é bastante detalhada, com boa utilização das cores e, em alguns momentos, da violência.

Em seguida, Uma Batalha Perdida tem roteiro de J. T. Krul e desenhos de Ed Benes. A trama é muito interessante, pois mostra os Titãs e a Liga da Justiça participando de uma mesma batalha, com alguns personagens não necessariamente do mesmo lado, já que o vilão Nekron os comanda. Benes entrega desenhos muito bons, com excelente captura das expressões e dos momentos de ação.

O título apresenta também os enredos de O Pesadelo Mais Denso e Incidente em Korugar, ambos focados na Tropa dos Lanternas Amarelos. O primeiro tem roteiro de Jeremy Love e desenhos de Brett Booth e mostra o recrutamento de um inusitado membro para a tropa. O segundo, com roteiro e arte de Ethan Van Sciver, apresenta uma guerreira combatendo os Lanternas Negros. Ambas as tramas tem arte adequada, mas são histórias curtas que servem apenas para dar continuidade à cronologia dos personagens.

Posteriormente, é a vez de Contos Secretos da Noite Mais Densa – Mar de Medo, história de Peter J. Tomasi e Patrick Gleason, que mostra Lyssa Drak, guardiã do Livro Negro, cujas páginas contêm contos inéditos daqueles que ouviram o apelo de Nekron, o vilão citado na trama de Uma Batalha Perdida. Com desenhos eficientes, a história apenas gera expectativa para o próximo número, porque deixa a trama em aberto. Para finalizar, é possível conferir cenas deletadas de A Noite Mais Densa, escritas por Geoff Johns e desenhadas pelo brasileiro Ivan Reis.

A Guerra dos Lanternas Verdes Especial é um título interessante para o leitor que acompanha com frequência as revistas da tropa de policiais intergalácticos e deseja conhecer as consequências da grande guerra. Em contraponto, um leitor eventual encontrará problemas para se situar, pois, principalmente nas outras histórias, não há um arco conclusivo e o entendimento fica prejudicado, apresentando mais perguntas do que respostas.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Crítica – Coleção Histórica Marvel – Capitão América


Henrique Jacob
A Coleção Histórica Marvel foi lançada no embalo do filme dos Vingadores e conta com quatro edições. Em cada volume, o leitor acompanha as histórias de um único herói e somente no último são apresentadas as aventuras do grupo. A primeira publicação da série é dedicada exclusivamente para o Capitão América.
Para quem não conhece, o personagem foi criado durante a Segunda Guerra Mundial e no início enfrentava os nazistas, como pode ser visto na arte da primeira capa em que o bandeiroso dá um soco na cara de Hitler. O mais interessante da compilação realizada pela Panini, é que ela apresenta a primeira publicação do personagem criado por Joe Simon e Jack Kirby em 1941 e diversos momentos clássicos do Sentinela da Liberdade, como o combate em que o herói tenta impedir que o Caveira Vermelha utilize o Cubo Cósmico (o mesmo utilizado no filme) para dominar o mundo.
Na primeira trama, acompanhamos o surgimento do protagonista e o início de suas aventuras. O ponto negativo é que após isso, a edição salta para uma história de 1964 escrita por Stan Lee e desenhada por Jack Kirby. O ruim desse corte é que o leitor só irá conhecer a primeira história original e depois já vai encontrar o personagem no mundo atual, quando Lee introduziu o Capitão no mundo moderno. Nessa trama inicial, a história é bem simples e mostra todo o desenrolar do processo de criação do Super Soldado, mas não explora o ponto de vista de Steve Rogers e nem conta como ele se ofereceu. As ilustrações são bem simplórias devido as limitações tecnológicas na impressão das revistas em 1940.
A segunda história mostra a tentativa de um grupo de criminosos que ataca o herói no momento em que ele está sozinho na Mansão dos Vingadores. O enredo é bem simples e só serve como uma forma de mostrar ótimos combates e as habilidades do bandeiroso. Após isso, a edição avança alguns números para revelar que o Caveira Vermelha está vivo no mundo moderno e conta com o apoio da IMA. Esse é um dos melhores roteiros do encadernado e mostra o vilão enganando a IMA e roubando deles o Cubo Cósmico com o objetivo de usar o artefato para dominar o mundo. O enredo é ótimo e mostra um vilão com condições para enfrentar o personagem, principalmente com a ajuda do artefato misterioso.
Toda essa trama envolvendo o Caveira é desenhada por Jack Kirby que conseguiu ilustrar com diversos detalhes e com certo realismo as cenas, apesar de alguma limitações que existiam nas impressões daquela época. Após esse arco de histórias, Lee e Kirby recontam a origem do Capitão e sua relação com seu parceiro mirim Bucky. O roteiro é bem desenvolvido e respeita alguns pontos da versão original, mas modificando detalhes com o objetivo de tornar o acontecimento épico.
Após isso, o volume continua com uma série de edições escritas por Lee e desenhadas por Steranko.  O artista tenta manter o mesmo nível de qualidade das ilustrações apresentadas por Kirby, melhorando alguns pontos dos desenhos e apresentando diversos detalhes nas expressões faciais que contribuem para dar mais realismo para os personagens. A trama se desenrola contando o momento em que Ricky Jones se torna o novo Bucky, os problemas que o Capitão enfrenta pelo fato de todas as pessoas saberem sua verdadeira identidade e a morte de Steve Rogers, que inclusive conta com a participação dos Vingadores. Essa trama é interessante e mais complexa que as anteriores, apesar de não surpreender, ela consegue agradar o leitor por apresentar um roteiro bem construído com diversos detalhes que não decepcionam.
Outro ponto positivo da edição é o bom acabamento da publicação. O papel utilizado é de boa qualidade e a capa é muito bonita, porque utiliza de imagens e páginas das edições originais com um tom escuro de cor que cria uma sensação nostálgica.
A Coleção História Marvel – Capitão América é uma ótima opção para os fãs do herói e até para quem nunca leu uma história do personagem. A edição vale a pena pela qualidade e seu conteúdo.

sábado, 22 de setembro de 2012

Crítica – Tartarugas Ninja


Henrique Jacob
Criadas originalmente nos quadrinhos em 1984 por Kevin Eastman e Peter Laird, as Tartarugas Ninja foram um grande sucesso de público nas décadas de 80 e 90, gerando diversos produtos, como filmes, um seriado e um desenho animado.
Para quem não sabe, o grupo é formado por quatro tartarugas mutantes que vivem no esgoto de Nova York e cada uma delas possuem o nome de um pintor renascentista. O objetivo deles é enfrentar os criminosos liderados pelo Destruidor e para isso, contam com os ensinamentos e o treinamento do rato chamado Mestre Splinter.
Após alguns anos, os personagens retornam em uma nova aventura nas HQs, contando com histórias individuais do Raphael, Donatello, Michelangelo e Leonardo. A primeira edição de as Tartarugas Ninja é totalmente voltada para contar uma história envolvendo o Raphael. O volume possui poucas páginas e várias delas não possuem muito diálogos, o que prejudica o desenvolvimento da trama.
Apesar de ser uma história curta, o roteiro criado por Brian Lynch possui algumas qualidades, como um final que tenta interligar o personagem aos seus irmãos e ao vilão principal da série. O enredo se dedica muito para privilegiar as cenas de ação, que estão muito bem encaixadas no contexto da história, mas essa necessidade de dar ênfase nos combates acabou prejudicando o desenrolar da trama.
Entretanto, a apresentação de Raphael e de suas principais características como seu jeito teimoso e rebelde estão presentes na história. O caráter da tartaruga é um dos pontos em que a trama mantém o foco, garantindo uma maior fidelidade e uma melhor construção do personagem, sendo que essa é a ideia principal dessa nova série que será dividida em 4 edições, sempre dando ênfase em somente um dos integrantes do grupo em cada publicação.
Os desenhos de Franco Urru apresentam um visual simples com poucos detalhes, tentando empregar um visual mais moderno para os personagens. Uma das melhores coisas nos traços de Urru são as cenas de ação e os momentos de perseguição que estão muito bem feitos, repletos de efeitos nas movimentações e nos golpes.
Uma das melhores coisas é o tom das cores utilizadas na publicação. O visual deixa de ser parecido com os filmes e o desenho animado para se dedicar a um público adulto, fugindo daquele tom infantil. Essas escolhas nas cores valorizam os desenhos de Urru, principalmente nos combates e alguns momentos em que efeitos de sombra e luz se tornam fundamentais.
A edição também conta com um bom acabamento, utilizando um papel de qualidade para as páginas, superando algumas publicações de peso que são lançadas aqui no Brasil. A única ressalva fica por conta da qualidade do papel da capa que parece ser mais simples e frágil demais. A primeira edição de Tartarugas Ninja só vale a pena para quem é fã dos personagens ou deseja conhecer um pouco mais desse universo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Crítica – Super Choque – Os Novos 52

Henrique Jacob
 
Criado no início da década de 90 pelo roteirista Dwayne McDuffie, o personagem Super Choque ficou muito conhecido após ganhar um desenho animado produzido pela Warner Bros. O herói retorna agora em um volume único com as histórias da nova série em quadrinhos lançada no reboot de Os Novos 52 da editora DC Comics.
A série já foi cancelada nos Estados Unidos e o volume conta com as 8 edições que foram publicadas. Algumas mudanças também foram feitas na história e agora Virgil Hawkins e sua família moram em Nova York e não mais em Dakota como acontecia no desenho. A trama principal é simples e apresenta um grupo de vilões tentando matar o Super Choque, porque ele poderia atrapalhar os negócios do vilão Piranha.
O roteiro criado por Scott Daniel e John Rozum começa bem, mas demora muito para desenrolar e para apresentar ao público as reais intenções dos vilões. Duas tramas paralelas também são apresentadas no meio dessa história e que tem uma ligação direta com a principal, como a clonagem de Sharon, irmã de Virgil, e aparição de um policial disfarçado de Coringa. Em um momento, o leitor vai perceber que os autores correram para encerrar a trama, em uma tentativa infeliz de revitalizar e manter a HQ no mercado.
Essa pressa teve como consequência um desfecho contado sem muitos detalhes e ignorando alguns acontecimentos apresentados anteriormente, principalmente a do policial disfarçado de Coringa que mata os membros da corporação e depois não aparece no momento em que a base do vilão está desmoronando, ou seja, deixaram subentendido que ele morreu, mas até aquele instante sua história estava caminhando para outra direção.
Sem dúvida, o melhor do roteiro é a construção do protagonista, que possui um caráter semelhante ao do Homem-Aranha, um jovem muito inteligente e que utiliza constantemente do bom humor quando está vestindo como o Super Choque. Os diálogos e os momentos em que Virgil entra em cena são muito bem inspirados e proporcionam diversão e ação ao leitor.
Os desenhos de Scott McDaniel e Andy Owens tem seus altos e baixos, mas na maioria do tempo apresenta uma boa qualidade nos traços, valorizando as expressões faciais e as cenas de perseguição. A mudança no uniforme do Super Choque tornou seu visual mais moderno e combina com os poderes do personagem. A parte ruim dos desenhos é o visual do policial disfarçado de Coringa, em que nada se assemelha ao vilão e possui uma aparência estranha e muito infantil, nada condizente com as características do criminoso.
O colorista Guy Major também escolheu muito bem os tons de cores para utilizar na HQ. O visual ficou menos infantil e mais adulto, mesclando tons mais escuros dos cenários com os golpes cheios de efeitos luminosos do herói, tornado as cenas muito bonitas.
A publicação tem seus méritos pelo visual e por resgatar um personagem muito interessante, que tem tudo para ter uma trama mais complexa. Super Choque de Os Novos 52 só vale a pena para quem gosta muito do herói e deseja conhecer mais sobre o seu universo, mas com uma visão bem diferente daquela vista no desenho animado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Crítica - Dragon Ball - Número 1

Cristiano Almeida

As publicações de mangás no Brasil vem crescendo exponencialmente. A iniciativa das editoras em publicá-los deve-se ao interesse de uma nova geração de leitores, que muitas vezes conhece primeiro o anime, para depois buscar a fonte daqueles desenhos. É inegável também que os leitores mais habituais são fiéis a esse tipo de publicação e adoram novos títulos ou reedições de antigas histórias. Pensando nessa mescla de duas gerações, a Panini Comics relança o mangá Dragon Ball em 42 edições mensais.

A trama de Dragon Ball acompanha o jovem Goku, garoto que foi adotado pelo velho eremita Son Gohan para viver recluso em um lugar remoto no meio das montanhas. O jovem considera o bondoso homem como seu avô e nunca tinha conhecido ninguém além dele. Certo dia, porém, Goku sai em busca de alimento e envolve-se em um acidente com Bulma, garota inteligente e determinada, que está à procura das esferas do dragão (as Dragon Ball do título). Tais esferas, quando reunidas em um total de sete, invocam o lendário deus-dragão Sheng Long e possibilitam a realização de um desejo. Bulma procura pelas esferas com um radar que ela mesma construiu e, ao ver a força de Goku, que carregava um enorme peixe na hora do acidente, percebe sua utilidade para ela como guarda-costas. Sua empolgação aumenta quando vai à casa do menino e descobre que ele tem uma esfera de quatro estrelas, a Si Xing Qiu. Com isso, propõe uma parceria à Goku para que ele a ajude em sua jornada.

Esse é só o inicio da história, que, a partir do encontro, torna-se cada vez melhor com a dupla vivendo muitas aventuras e encontrando ao longo do caminho aliados e inimigos. Para quem acompanhou o anime fica fácil reconhecer personagens como Oolong, Yamcha, Pual, Chichi (futura esposa de Goku) e, é claro, Mutenroshi, o Mestre Kame, responsável muitas vezes pelo alívio cômico, devido as suas atitudes galanteadoras. Porém, sua importância na série vai além disso e é crucial nas edições posteriores, nas quais treina Goku e Kulilin e ensina a famosa técnica Kamehame-ha. A personalidade de Goku é outro ponto alto no enredo, pois sua pureza é equivalente a sua força e a descoberta de seus poderes e a revelação de um segredo rendem à trama uma grande complexidade.

O mangá é escrito e desenhado por Akira Toriyama, mangaká que faz um trabalho primoroso no roteiro e na arte, empregando várias referências a esse tipo de quadrinho, como os olhos grandes, o exagero nas feições e a sensualidade feminina. Nesse ponto, o mangá é indicado para maiores de 12 anos, pois apresenta alguns momentos que podem ser impróprios para crianças. Mas, em um contexto geral, a história é muito divertida de se ler, demonstrando o controle do autor em interligar a ação, emoções, tensão e humor sem deixar que a narrativa diminua o ritmo.

Os desenhos são em preto e branco e Toriyama utiliza ótima técnica para realçar os efeitos de luz e sombra. A ação é repleta de onomatopeias e no humor o ator apresenta sequencias dignas de gargalhadas. O ponto negativo na arte fica por conta da editora, que poderia ter aproveitado a oportunidade de relançamento e feito os desenhos coloridos, algo como a JBC fez com Card Captor Sakura, antes chamado de Sakura Card Captors. No entanto, esse detalhe não desabona de forma alguma a qualidade do material.

O mangá ainda tem extras como cartas de leitores e artes originais que ilustraram a abertura dos capítulos na revista japonesa Shonen Jump, publicação que compila capítulos de vários mangás. Dragon Ball foi publicado originalmente nessa revista entre dezembro de 1984 e junho de 1995. Outro ponto interessante nos extras é um glossário, que explica o significado dos termos usados ao longo da história. Por meio dele, por exemplo, descobrimos de onde vem a inspiração para o nome de Goku.

Com essa reedição, o leitor tem a chance de colecionar um mangá, aprender sobre cultura japonesa e habituar-se a um estilo diferente de quadrinhos. É ótimo conhecer elementos tão marcantes da saga de Goku, como a Nuvem Voadora Kintoun, o bastão mágico Nyoibou, entre outros.  Se você é fã dele e de sua turma ou deseja conhecer o universo criado por Akira Toriyama, Dragon Ball é uma leitura fundamental.