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domingo, 16 de dezembro de 2012

Crítica – Mulher Maravilha


Henrique Jacob
Lançado em 2009, a animação Mulher Maravilha conta a origem da amazona mostrando seu nascimento, treinamento quando jovem e sua jornada no mundo dos homens. O filme tem certa influência da série em quadrinhos Gods and Mortals de 1987, em que o desenhista George Perez reformula alguns conceitos principais da personagem.
A trama inicia com a batalha entre as amazonas lideradas pela rainha Hipólita contra Ares. Durante o combate, ela mata o filho de Ares e em seguida tem a oportunidade de matar o inimigo, mas a pedido de Zeus, Hipólita decide aprisionar o deus da guerra. Como prêmio pela vitória, a deusa Hera dá uma ilha chamada Themyscira de presente para as guerreiras, permitindo que elas possam viver longe dos homens. Após isso, a rainha das amazonas desenha uma criança no barro e pede aos Deuses que permitam que ela tenha uma filha, o que é concedido por eles e assim surge Diana.
Após alguns anos, um piloto americano chamado Steve Trevor faz um pouso forçado na ilha. Para decidir qual amazona irá levar o homem de volta para os Estados Unidos, Hipólita decide realizar um torneio. Durante a competição, Ares consegue escapar e a missão de Diana será impedir o deus da guerra. A história é muito bem contada com diversos detalhes das HQs, mas com pequenas alterações. O melhor é poder acompanhar a versão da heroína em sua forma mais tradicional em que ela não voa e necessita de seu avião invisível para se locomover em grandes distâncias.  Todos os equipamentos da amazona são apresentados ao público de forma coerente dentro do contexto da história, sem exageros ou mudanças bruscas em relação aos quadrinhos.
O roteiro escrito por Gail Simone e Michael Jelenic consegue narrar os acontecimentos e o desenvolvimento da heroína de forma bem coerente mostrando sua desconfiança em relação aos homens e sua vontade de conhecer o mundo. A trama consegue prender a atenção do público pela qualidade dos diálogos e dos combates. A desconfiança de Diana em relação a Steve e sua vontade de conhecer o lado bom dele resultam em bons diálogos e um questionamento sobre algumas atitudes de nossa sociedade. Outro ponto interessante é como a animação apresenta a personagem com maior fidelidade aos quadrinhos e com uma produção excelente, que respeitou todo o histórico e o perfil da protagonista, ao contrário do que aconteceu em alguns filmes em live-action de outros super heróis.
Dirigido pela Lauren Montgomery, a animação traz uma qualidade técnica incrível pelo ótimo visual das imagens e cenas, principalmente as sequências de ação que foram muito bem feitas. Os desenhos dos cenários, lutas e personagens ficaram com um bom nível de detalhes que agradam bastante. A Mulher Maravilha também foi muito bem retratada com um desenho sensual, realçando a beleza da personagem, mas sem qualquer tipo de vulgaridade.
O nível de violência também é um pouco maior em relação as outras animações da DC Comics como Liga da Justiça: Crise em Duas Terras e Lanterna Verde: Cavaleiros Esmeralda. Apesar disso, essa violência é bem empregada nos combates, realçando diversos momentos importantes e tensos da trama, mas sem exageros como acontecem em alguns longas.
A trilha sonora consegue ampliar o sentimento de estar assistindo a um épico baseado na mitologia grega com diversos combates entre guerreiros e deuses, devido ao uso de instrumentos e uma sonorização semelhante as grandes produções norte-americanas. Isso contribui bastante para imersão do público e para melhorar ainda mais as cenas de luta. A dublagem também é ótima pelo trabalho da equipe e pela escolha das vozes. Os atores escolhidos para dublar cada personagem realizaram um bom trabalho, principalmente Alfred Molina como Ares e Virginia Madsen como a rainha Hipólita.
No geral, a animação Mulher Maravilha é essencial para qualquer fã de quadrinhos e para quem já conhece ou deseja saber mais sobre a personagem. Pela qualidade técnica e por contar de forma bem fiel a origem da primeira heroína da DC Comics criada em 1941, o filme é uma ótima opção para o público e um bom incentivo para que a amazona chegue as salas de cinema no futuro com um longa-metragem em live action.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Crítica – Batman Contra o Capuz Vermelho

Cristiano Almeida

A animação Batman Contra o Capuz Vermelho (Batman Under the Red Hood) mescla os arcos das HQs “Morte em Família” e “Sob o Capuz” em uma produção onde Batman enfrenta alguém mais próximo do que ele imagina, alguém que vai confrontá-lo de igual para igual.

O longa começa cinco anos após a morte de Jason Todd (o segundo Robin), assassinado pelo Coringa em uma cruel demonstração da insanidade do Palhaço do Crime. Bruce Wayne convive com a dor de perder o aliado, mas continua protegendo as ruas de Gotham City. Em uma de suas patrulhas, ele captura três bandidos com a ajuda do Asa Noturna (Dick Grayson, o primeiro Robin), e descobre que o carregamento levado pelo trio era destinado ao Capuz Vermelho.

O misterioso personagem é parte vigilante, parte criminoso. Ele limpa as ruas da cidade com a mesma eficiência de Batman, porém não segue o mesmo código de ética do protetor de Gotham. Para ele, matar é sempre uma opção, e, sendo assim, acaba entrando em conflito com o Morcegão. O grande problema é que o Capuz parece ser alguém muito bem treinado e que antecipa os passos do Homem-Morcego. Em pouco tempo ele domina todos os chefões do crime da cidade e passa a ser considerado o novo dono do pedaço, menos pelo Máscara Negra, um dos chefões que tem seus negócios prejudicados pelo anti-herói.

Com o cenário armado, a animação é desenvolvida de forma muito coerente e bem amarrada. O roteiro de Judd Winick apresenta situações de ação, drama e investigação. O texto apresenta o que há de melhor no Cavaleiro das Trevas, mostrando-o como exímio acrobata marcial, perito no uso das bugigangas e também como detetive, que é uma de suas principais características.

O enredo não é indicado para menores, pois foge aos padrões anteriores da Warner Bros. Animation, entregando cenas com sangue e assassinatos. Contudo, a abordagem não poderia ser diferente, já que as próprias personalidades do Coringa e do Capuz remetem a uma narrativa mais adulta e tensa.

A direção de Brandon Vietti não decepciona. Conduzindo a trama de maneira fluente, o cineasta utiliza flashbacks das memórias de Bruce Wayne para contextualizar a história, logo depois volta ao tempo presente em cenas de ação convincentes, que são acompanhadas pela trilha sonora composta por Christopher Drake. Numa das melhores cenas, Batman e Capuz tem que se unir para enfrentar o Quarteto Feroz, um grupo de assassinos enviados pelo Máscara Negra. A edição ajuda a dar dinamismo às lutas, que são recheadas de elementos, como saltos, golpes e uso de armas. Essa sequência resume bem a diferença entre o Capuz Vermelho e o Homem-Morcego.

Com bom roteiro e direção, a animação também é excelente em sua qualidade gráfica. A direção de arte recria bem a atmosfera carregada de Gotham, passando por várias locações, como galpões, escritórios, altos de prédios, metrô e a Batcaverna. O visual dos personagens é condizente com a densidade da trama, principalmente o Coringa, que aqui é retratado com a insanidade semelhante à incorporada por Heath Ledger em Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Outro fator que contribui para a qualidade do filme é a presença de Bruce Timm, produtor que foi responsável pelo sucesso da série animada do Batman na década de 90. Além disso, a participação de Andrea Romano - experiente diretora de dublagens – contribui para que os atores entreguem-se as interpretações que cada cena exige. O elenco de dublagem é composto por Bruce Greenwood, Jensen Ackles, John Di Maggio, Neil Patrick Harris, Jason Isaacs.

Como extras, o filme apresenta prévias de Superman/Batman Apocalypse, produção que narra a chegada de Kara, a prima de Kal-El à Terra, e Batman – O Cavaleiro de Gotham que mostra seis histórias em estilo anime, cada uma comandada por um diretor. Há também trailers de outras produções do estúdio.

Batman Contra o Capuz Vermelho é uma das melhores animações já feitas pela Warner Bros. Animation, no qual todos os elementos de um boa produção trabalham em harmonia para um resultado excepcional. Assim, esse filme é para ser visto, sendo você fã ou não de Batman.

domingo, 25 de novembro de 2012

Crítica – Os Supremos 2: Descubra o Poder da Pantera


Henrique Jacob
A animação Os Supremos 2: Descubra o Poder da Pantera continua a trama do primeiro filme e apresenta a origem do personagem Pantera Negra no universo Ultimate da Marvel. O longa mantém a qualidade técnica do antecessor, mas com um roteiro melhorado e sem falhas no final como aconteceu anteriormente.
Lançado no final de 2006, o longa conta a história do príncipe de Wakanda, conhecido como T'Challa. O jovem vê seu pai ser assassinado por Herr Kleiser, um alienígena da raça Chitauri, que tem a capacidade de se transformar e que se apresenta como um nazista. A partir disso, o príncipe assume o comando de seu povo e o legado de seu pai, o antigo Pantera Negra.
T'Challa descobre que o Capitão América já havia combatido Kleiser durante a Segunda Guerra Mundial e por isso decide se encontrar com o sentinela da liberdade para conhecer mais sobre o oponente alienígena. Esse encontro vai alertar os Vingadores e o general Nick Fury da S.H.I.E.L.D. sobre a possibilidade dos Chitauris invadirem Wakanda. Enquanto isso, o Bruce Banner está preso e passando por diversos interrogatórios após os acontecimentos finais do filme anterior.
O roteiro criado por Boyd Kirkland, Craig Kyle e Greg Johnson é superior em diversos pontos ao seu antecessor. A narrativa mantém a qualidade com bons diálogos, uma trama instigante e diversos combates, mas com algumas reviravoltas surpreendentes no final que agradam bastante. O fato da história dar ênfase em cada integrante dos Vingadores, também contribuiu para um melhor resultado, pois permite explorar o relacionamento, as características e o perfil de cada um dos heróis, ao contrário do que aconteceu no primeiro filme, em que o foco foi no Capitão América.
Com essa medida, personagens como o doutor Hank Pym, Tony Stark, Thor e o Bruce Banner tiveram uma relevância maior nessa sequência e puderam ser bem explorados durante os acontecimentos do enredo. Banner teve uma melhora significativa em relação as suas ações e apesar de ainda continuar sendo pessimista, o alter-ego do Hulk mostra seu conhecimento, um pouco mais de confiança e uma vontade de realizar algo benéfico, ao contrário do que ocorreu no filme anterior.
Uma das poucas ressalvas do roteiro fica por conta do personagem T'Challa ter sido pouco explorado na trama, sendo que o Pantera deveria ter um espaço maior para mostrar mais o sua personalidade e características principais, que foram pouco aproveitadas durante a animação.
Os diretores Will Meugniot e Richard Sebast fizeram um ótimo trabalho nas cenas de ação, que foram muito bem desenvolvidas com diversos efeitos visuais e uma qualidade que supera em alguns momentos ao que foi visto na primeira animação. Os desenhos apresentam os personagens e cenários com diversos detalhes e um visual que agrada bastante.
A trilha sonora composta por Guy Michelmore tenta criar momentos épicos durante as batalhas, realçando diversos momentos importantes, mas não chega a ser muito impactante a ponto de impressionar o público. Os efeitos sonoros durantes os combates foram bem feitos e a dublagem também agrada pela qualidade das interpretações.
Com um bom roteiro e os mesmo nível de qualidade técnica, Os Supremos 2: Descubra o Poder da Pantera vale para quem deseja se surpreender com uma animação com os heróis da Marvel e para que aqueles que gostaram do primeiro filme e desejam conhecer os acontecimentos posteriores.

sábado, 17 de novembro de 2012

Crítica - Superman e Batman: Inimigos Públicos

Cristiano Almeida

Baseada na graphic novel homônima, de Jeph Loeb e Ed McGuiness, a animação Superman e Batman: Inimigos Públicos (Superman Batman - Public Enemies) apresenta dois dos maiores heróis de todos os tempos lutando lado a lado contra o governo americano. O filme entrega uma história clássica de heróis ao mesmo tempo que alfineta a política do país.

Na trama, os Estados Unidos vivem um momento de crise financeira, com o povo apreensivo quanto ao futuro. Aproveitando-se dessa ocasião, Lex Luthor consegue se eleger presidente americano, prometendo acabar com a instabilidade que a nação enfrenta. Ao ocupar o posto, decide comandar os membros da Liga da Justiça. Assim, Capitão Átomo, Raio Negro, Estelar, Major Força, Katana e Poderosa começam a seguir suas ordens. Mas Luthor quer mais, e decide comandar também Superman e Batman, que se recusam e passam a ser considerados inimigos.

Essa é só a primeira complicação do enredo, que também coloca um meteoro de kriptonita em rota de colisão com a Terra. Luthor acredita que pode detê-lo utilizando mísseis, mas os heróis tem outros planos para encerrar a ameaça. Fingindo precisar da ajuda de Superman, o vilão simula um plano, provocando um embate entre Metallo, que usa uma pedra de kriptonita, e Kal-el. Batman auxilia o amigo na fuga, mas Metallo acaba sendo morto por alguém não identificado. Com isso, Luthor passa a acusar o kriptoniano pelo assassinato, oferecendo US$ 1 bilhão para quem conseguir capturá-lo.

O roteiro de Stan Berkowitz trabalha muito bem as tramas paralelas, com os heróis tendo que lidar com a ameaça do meteoro, dos inimigos e dos outros mascarados fieis a Luthor. A corrida para provar a inocência do Superman também é explorada com eficiência, em uma clara demonstração de como Batman é um excelente estrategista. Contudo, a narrativa acaba perdendo um pouco da força em seus minutos finais, pois Berkowitz propõe alguns rumos que não se encaixam bem no contexto da história.

No comando do filme está Sam Liu, cineasta que dirige a animação com ótimas sequências de ação. Em uma delas, os heróis enfrentam um grupo de vilões que incluem Grodd, Bane, Mongul, Solomon Grundy e Giganta, depois são obrigados a combater os membros da Liga da Justiça. Nesse sentido, Liu consegue balancear com coerência os momentos de ação, de drama e de explicação da trama.

A Warner Bros. Animation sempre adapta os traços da obra original para as animações. Desse modo, o filme tem ótima qualidade gráfica e consegue ser mais um exemplar do padrão de qualidade do estúdio. As emoções dos personagens são recriadas com fidelidade e os efeitos causados pelo uso dos poderes são bem amparados pela técnica.

Outro ponto interessante na animação é a presença do mesmo elenco de dublagem dos seriados de Batman e Superman – incluindo Kevin Conroy (Batman), Tim Daly (Superman) e Clancy Brown (Lex Luthor). Acostumados a emprestar a voz aos heróis e ao vilão, os dubladores entregam interpretações condizentes com o perfil e os sentimentos dos personagens.

Superman e Batman: Inimigos Públicos é uma animação que não está livre de falhas, porém é válida pela iniciativa de ver esses icônicos heróis se ajudando em momentos de drama ou ação. Para completar, os fãs de HQs terão a oportunidade de identificar várias referências aos quadrinhos, como a primeira vilã que os dois enfrentaram juntos ou ainda a batalha do Superman contra Apocalipse.

domingo, 4 de novembro de 2012

Crítica – Os Supremos – O Filme


Henrique Jacob
A animação Os Supremos – O Filme apresenta ao público a versão da equipe dos Vingadores no universo Ultimate da Marvel. Lançado em 2006, o longa adapta a graphic novel criada por Mark Millar e Bryan Hitch com algumas modificações e cortes no conteúdo.
Na trama, o Capitão América invade uma base nazista comandada por Herr Kleiser em 1945. Após entrar no complexo, o herói descobre que o local está sendo utilizado pela raça de alienígenas chamada Chitauri. O bandeiroso descobre os planos dos inimigos e tenta impedir que um foguete com ogivas nucleares atinja a cidade de Washinton. O capitão consegue destruir a arma, mas acaba caindo no mar e ficando congelado durante décadas. A partir desse ponto, o enredo avança e mostra a S.H.I.E.L.D. encontrando o herói e reunindo diversos seres com superpoderes para forma uma equipe com o objetivo de impedir os próximos ataques dos Chitauri.
O roteiro desenvolvido por Greg Johnson consegue explorar as emoções e os conflitos dos membros da equipe, sempre mostrando o ponto de vista do Capitão América. A ideia é ótima porque consegue narrar com coerência os acontecimentos na vida do personagem e sua dificuldade para se adaptar em um novo tempo. Entretanto, essa prioridade da narrativa em mostrar o bandeiroso, atrapalha em alguns momentos por não explorar algumas características dos demais membros da equipe.
A trama consegue prender o público e traz uma boa história, mas falha no desfecho em que o autor simplesmente gera uma briga sem explicação entre o Hulk e os integrantes da equipe. Bruce Banner, alter-ego do verdão, afirma antes de se transformar que conseguiu criar uma substância para controlar o monstro. Após isso, a trama mostra que o medicamento funcionou e em seguida já apresenta ele totalmente descontrolado novamente, parecendo que o remédio não surtiu efeito. Sem explicar o motivo dessa mudança repentina, cria-se a sensação de que isso foi somente uma justificativa para forçar uma briga entre os heróis.
Uma das melhores coisas do longa é conhecer essas novas versões do famosos personagens da Marvel, como o Thor sendo um ativista, o doutor Hank Pym (Gigante) arrogante e com um caráter as vezes duvidoso, Tony Stark um pouco mais sério e um Bruce Banner deprimido e pessimista. Apesar de algumas delas não serem melhores que as versões tradicionais, é muito interessante conhecer esses personagens com características e personalidades diferentes.
Com a direção de Curt Geda, Steven E. Gordon e Bob Richardson, a animação apresenta uma ótima qualidade nos desenhos que tentam imitar o visual apresentado na graphic novel, mas com algumas melhorias. As cenas de ação estão muito bem produzidas com uma grande riqueza de detalhes, principalmente nos momentos em que prédios ou objetos explodem e durante as sequências de luta.
A trilha sonora tenta criar um clima de um grande épico, principalmente nos momentos de heroísmo do Capitão América. O áudio agrada e realiza sua função de realçar algumas cenas de combate e tensão, mas não é nada que chegue a impressionar ou marcar o público, como acontece em alguns filmes. A dublagem foi muito bem feita e realça as características de cada personagem.
Apesar de algumas falhas e mudanças no roteiro, a animação Os Supremos – O Filme é uma boa oportunidade para quem deseja conhecer mais do universo Ultimate da Marvel e também para aqueles que gostam de filmes com heróis.  

domingo, 16 de setembro de 2012

Crítica – Liga da Justiça: Crise em Duas Terras

Henrique Jacob
 
Imagine que nosso mundo seja apenas uma das infinitas dimensões existentes no universo e em cada uma delas teríamos diferentes vidas conforme nossas escolhas. Essa é a premissa da história da animação Liga da Justiça: Crise em Duas Terras. Em uma dessas dimensões, Lex Luthor e o Coringa são integrantes da Liga da Justiça e tentam defender o mundo contra o Sindicato do Crime, uma organização composta pela versão maligna de diversos super-heróis.
Logo no início, a dupla decide invadir um prédio de segurança para roubar um dispositivo que o Sindicato vai utilizar para acionar a explosão de uma bomba. Durante o roubo, Bobo (como é chamado o Coringa nesse universo) se sacrifica para facilitar a fuga de Lex. Sendo o último sobrevivente da Liga, Luthor decide ir para a dimensão da liga com o objetivo de pedir a ajuda dos heróis.
Inspirada nas histórias sobre o multiverso criadas por Gardner Fox e baseado na graphic novel Justice League: Earth 2 de Grant Morrinson, a trama foi uma das últimas obras escritas por Dwayne McDuffie, criador de Super Choque. O roteiro é bem interessante e coloca o grupo formado por Super-Homem, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Flash, Batman e J'onn J'onzz (Ajax) em uma batalha com versões malignas deles próprios e de outros heróis. Inicialmente, foi planejado que o longa seria uma ligação entre os desenhos da Liga da Justiça e Liga da Justiça: Sem Limites. Entretanto, essa ideia foi descartada no processo de desenvolvimento, mas durante a história muitas referências apresentam essa ligação, como a necessidade do grupo aumentar o número de integrantes para proteger o mundo.
O enredo consegue ser coerente e ao mesmo tempo inova sem causar erros na cronologia dos personagens. Apesar do filme apresentar um conteúdo mais voltado para as crianças, evitando cenas com muita violência e sangue, a trama consegue prender o espectador com diálogos bem desenvolvidos, bom humor, cenas de ação e uma história complexa, repleta de conceitos e teorias bem formuladas para explicar a base do multiverso, expandindo o universo da DC Comics. Uma das limitações principais desse roteiro é não ter explicado a origem e nem pelo menos citado como cada um dos vilões se reuniram e como se tornaram assim.
Com um belo visual e semelhante às séries em desenho animado. Os traços estão muito bonitos, principalmente pela escolha de tons variados de cores para os cenários, personagens e efeitos visuais. Os diretores Lauren Montgomery e Sam Liu também conseguiram trabalhar bem as cenas de ação para valorizar os golpes e poderes dos personagens. A batalha final é sem duvida a mais interessante para quem deseja ver cada herói lutando contra sua versão maligna.
A dublagem original também foi muito bem produzida com ótimas escolhas para o elenco responsável pelas vozes de cada personagem. A trilha sonora é boa, mas não chega a impressionar e nem se torna marcante para o espectador.
Outro ponto positivo da animação é a aparição de outros heróis como Aquaman, Canário Negro e das versões malignas do Arqueiro Verde e Super Choque. Uma das mais interessantes versões dos personagens conhecidos do universo da editora é a de Slade Wilson (O Exterminador), que nessa outra dimensão é o presidente dos Estados Unidos. O personagem dele é bem desenvolvido, porque mescla uma vontade reprimida de fazer justiça e colocar o Sindicato do Crime na cadeia com o medo sempre aparente de enfrentar o grupo e sofrer as conseqüências, como a possibilidade de perder sua filha.
Um dos pontos negativos do filme foi a presença tímida do Lanterna Verde, que possui poucas falas e um destaque menor que todos os outros heróis. Liga da Justiça: Crise em Duas Terras é um bom filme para quem deseja conhecer mais detalhes desse multiverso e se você gosta dos padrões já apresentados no desenho animado.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Crítica - Lanterna Verde: Primeiro Voo

Cristiano Almeida

A DC Comics estabeleceu verdadeiras lendas com seus heróis dos quadrinhos. Superman, Batman, Mulher-Maravilha, entre outros, tornaram-se referências para várias gerações de leitores. A editora resolveu explorar outras mídias e encontrou no mercado de home video um grande público. Produziu filmes do Superman, Batman e não poderia deixar de investir em outro famoso herói, o Lanterna Verde. Sendo assim, em Lanterna Verde: Primeiro Voo (Green Lantern: First Fligth) o cavaleiro esmeralda é visto em seus primeiros momentos com a utilização do lendário anel.

As histórias do herói expandem a ambientação das tramas terrestres para um panorama cósmico. Assim, antes do surgimento de outras espécies no universo, seres chamados de Guardiões do Universo concentraram o poder do elemento verde em uma enorme bateria no planeta Oa. Tal artefato é responsável por fornecer energia aos anéis da Tropa dos Lanternas Verdes, uma espécie de patrulha espacial que mantém a ordem nas galáxias. A bateria, porém, continha uma falha: a cor amarela, que diminuía o poder dos anéis verdes. Os Guardiões, então, escondem o elemento amarelo para impedir que inimigos venham a usá-lo. Nesse contexto, um ambicioso vilão fará de tudo para encontrar o elemento e destruir toda a tropa.

O filme começa com o piloto de avião Hal Jordan utilizando o anel de Lanterna Verde, embora não saiba que há uma complexidade muito maior naquele artefato. Na Terra, ele recebe a visita de Sinestro, Kilowog, Tomar-Re e Boodikka, oficiais que foram em busca do corpo de Abin-Sur, o alienígena do qual Jordan herdou o anel. Após descobrirem que o corpo foi incinerado e Jordan ficou com o anel, o levam para Oa para ajudar na caça do vilão Kanjar Ro, o assassino do alienígena.

Como, segundo a equipe de produção, a origem de Hal Jordan já tinho sido contada no filme Justice League: The New Frontier, o roteiro de Alan Burnett estabelece no filme a missão inicial de Jordan e sua primeira batalha. A premissa, contudo, não é bem explorada no longa, pois o herói não demonstra grande personalidade, desistindo de usar o anel facilmente ao primeiro sinal de adversidade e ficando à sombra de outros lanternas durante missões paralelas. Somente do meio para o fim é que o veremos mais determinado em suas atribuições. Pela importância do personagem sua conduta teria que ser melhor estabelecida e ele deveria ser mais disposto desde o início, algo semelhante a animação em série do Lanterna Verde, na qual Hal Jordan é extremamente propenso aos confrontos e resolução dos problemas.

A direção de Lauren Montgomery tem altos e baixos, com bom suspense em alguns momentos, mas com um clímax exagerado e pouco aceitável, até para um Lanterna Verde. Nesse ponto, a cineasta entrega uma sequência que, embora seja bacana de se ver, soa megalomaníaca demais. Seria mais acertado um confronto baseado em utilização de construtos, onde herói e vilão mediriam qual força de vontade e imaginação sobrepujaria o oponente.

Visualmente, a animação segue o padrão de qualidade DC Comics com excelentes imagens e caracterização dos personagens. Como os traços são mais próximos dos humanos, Montgomery acertou na técnica e foi coerente em não utilizar a animação em computação gráfica, pois em muitas dessas versões gráficas a parte superior do corpo é bastante larga, enquanto as pernas são bem finas, o que se distancia da realidade. Contudo, a parte visual não está livre de imperfeições, principalmente quando acontecem excessos na representação de emoções.

A primeira missão do mais famoso Lanterna Verde de todos os tempos tinha tudo para ser memorável, mas o roteiro ignora a força do personagem, inserindo-o como coadjuvante para justificar uma trama mais complexa. Que os roteiristas e diretores se inspirem em dois princípios básicos de um Lanterna Verde, força de vontade e imaginação, e criem uma próxima animação mais digna do herói.